SSF/RIO

Leitura de Karl Marx do ponto de vista da sociologia do conhecimento

In cidadania, Democracia, dialectics, direitos humanos, history, laicidad, Politics, sociologia, twentieth century on February 5, 2013 at 7:55 pm

Karl Marx e a Sociologia do Conhecimento – 2ª edição ampliada

Karl Marx e a Sociologia do Conhecimento - 2ªedição
Karl Marx e a Sociologia do Conhecimento – 2ªedição

Karl Marx e a Sociologia do Conhecimento – 2ª edição ampliada

Jacob (J.) Lumier  Sociólogos sem Fronteiras - Rio de Janeiro

Sociólogos sem Fronteiras – Rio de Janeiro

de SSF/RIo


Sumário
Apresentação    7
O Ponto de Vista da sociologia diferencial     11
A realidade social é integrada em modo dialético.    11
O Conhecimento Na Realidade Social    17
A colocação do conhecimento em perspectiva sociológica    18
A vertente sociológica de Saint-Simon    19
Determinismos sociais    20
Estrutura de classes    21
O conservadorismo hegeliano como obstáculo    22
A Consciência Sociológica contra os preconceitos filosóficos    23
Tecnificação, Regulamentações Sociais e Desigualdades.    24
Era da Automação e das Máquinas Eletrônicas    24
Controle automatizado e disparidade de opulência e pobreza    24
O sistema de controle da produção e o saber operário    25
A tecnificação e as regulamentações sociais    25
A Mentalidade de modernização    27
Durkheim e a Crítica ao utilitarismo    28
Consciência do contraste    28
Técnica e Tecnificação    29
O Plano organizado e O Espontaneísmo social    29
Tecnificação e sintaxe    30
Desenvolvimento das expectativas    30
Problemas reais e esquemas prefixados    31
A mirada diferencial    32
A divisão do trabalho técnico e a introdução do maquinismo    33
Não há ligação originária entre ciência e técnica.    34
A distributividade do conhecimento técnico    35
Notas Complementares ao Capítulo 2    38
Karl Marx e a Sociologia do Conhecimento    39
A consciência da sociologia do conhecimento    39
Orientações de Durkheim    40
Mannheim e o equívoco da causalidade final    41
O Suposto a priori axiológico.    42
Materialismo e espiritualismo são abstrações.    43
A Qualidade Subjetiva    44
O equívoco de um processo mental adaptativo    45
Problema sociológico da ideologia em Marx    46
Sociologia e política no conceito de alienação    47
Ideologia proletária e Teodicéia    48
A Dialética das Alienações em Marx    49
Os símbolos sociais e o conhecimento    51
Marx e o fetichismo da mercadoria    52
A liberdade libertadora no mundo da produção    53
A laicização na crítica da consciência alienada    54
Práxis social e dialética    55
Marx e as suas duas revoltas na conceituação.    56
Humanismo e sociologia em Marx    58
Práxis e sociologia    59
Graus de prometeísmo    59
A relativização do arcaico e do histórico    60
O advento da liberdade humana e sociedades históricas    62
Mentalidade da Economia Política    64
Psiquismo Coletivo da Estrutura de Classes    66
As Três dimensões do Psiquismo    67
A Postura do Sociólogo    69
O aproveitamento da sociologia de Marx    71
Hegel e Marx    71
O hegelianismo de Mannheim    74
Ideologia e Conhecimento Político    75
Realismo sociológico    76
Um conhecimento político da burguesia    77
Mirada diferencial sobre o conhecimento político    77
Objetivações da ordem institucional    78
Os temas coletivos reais    80
As classes do conhecimento    82
Artigo Anexo    85
A desconstrução das desigualdades sociais    87
Artigo Anexo-Subtítulos    91
Perfil do Autor Jacob (J.) Lumier    123
Índice    125
Notas de Fim    126

Apresentação[1]

Não há negar que o estudo da teoria sociológica não tem mais como preservar-se abstrato na era das técnicas de informação e comunicação. A ideia de Max Weber (1864 – 1920) voltada para pôr em obra uma metodologia das ciências sociais levando em conta unicamente as fontes documentais clássicas de história das civilizações, como os relatos de época e a pesquisa historiográfica, padece de anacronismo diante do impressionante desenvolvimento das técnicas de comunicação, quando em um abrir e fechar de olhos são percorridos sem fronteiras os diferentes tempos e escalas de tempos inerentes às civilizações, nações, tipos de sociedades e grupos variados.

Isto não significa que a teoria sociológica tenha seu alcance diminuído. Pelo contrário, novos caminhos surgem no horizonte, e se os sociólogos mais formais, como o notável Max Weber, concederam pouco mais que um olhar disperso aos níveis culturais, deixando escapar a funcionalidade dos seus quadros sociais, hoje em dia o sociólogo já não mais pode dar-se ao luxo de olhar os detalhes da história e as significações práticas das civilizações sem aprofundar a visão de conjuntos.

A era das técnicas de informação faz ver que os problemas sociológicos não mais serão alcançados sem levar em conta não somente o fato de que todo o conhecimento implica uma mentalidade coletiva e individual que lhe serve de base, mas igualmente a constatação de que nenhuma comunicação pode ter lugar fora do psiquismo coletivo.

Quanto mais tais técnicas se afirmam influentes, maior é o peso do psiquismo coletivo como problema sociológico. Mais notados igualmente são as tendências para a tecnicização / tecnificação do saber, com seus esquemas prévios, disseminando a estandardização sobre a consciência coletiva e sobre os níveis culturais da realidade social.

Desta forma, revela-se indispensável o estudo da dialética sociológica, em especial a aplicação da mirada diferencial ao problema da inserção da psicologia coletiva no âmbito da sociologia, para pôr em relevo a variabilidade e o pluralismo social efetivo [i].

O ponto de partida do presente ensaio de sociologia do conhecimento é o fim da competição entre psicologia e sociologia. Admite-se que as duas disciplinas vão buscar uma à outra os seus conceitos e a sua terminologia, incluindo as noções de expectativa, símbolo, mentalidade, atitude, papel social, ação.

Além disso, o fim da oposição entre a psicologia coletiva e a psicologia individual há tempo foi igualmente proclamado, tendo sido afirmada a ideia de que o social penetra no psicopatológico e que essa penetração do social é um fato consequente, não só para a psicologia patológica, mas igualmente para a psicologia fisiológica [ii].

A sociologia do conhecimento ao longo do seu desenvolvimento trouxe consigo para dentro do campo sociológico a pesquisa em psicologia coletiva. Da mesma maneira em que a introdução do problema da consciência coletiva por Émile Durkheim (1858-1917) acentuou tal inserção da psicologia coletiva no âmbito da sociologia, a descoberta da realidade social por trás do fetichismo da mercadoria, conseguida por Karl Marx (1818-1883), trouxe à luz o problema da dialética das alienações e, com isto, consolidou a pesquisa em psicologia coletiva como aquisição sociológica.

Além disso, o fato de que o mundo de realidade social ultrapassa qualquer imposição de condutas preestabelecidas constitui importante referência da sociologia diferencial [iii] em face do controle capitalista.

A visão mercatória da sociedade como constituída por indivíduos para a realização de fins que são primariamente fins individuais, cultivada no atomismo social e no utilitarismo, é contrária à sociologia.  Repugna a fragmentação da realidade social em uma poeira de indivíduos isolados, os quais, desprovidos de toda a ligação funcional de conjuntos, restariam meros suportes de comportamentos estandardizados.

Finalmente, esta obra tem em vista contribuir para as leituras em sociologia diferencial, e leva em conta a vinculação aos direitos humanos sem distanciar-se do caráter empírico e sem subordinar-se às doutrinas jurídicas nem tornar axiomáticas as proposições explicativas.


[1] A primeira versão E-book deste trabalho, em 64 págs., é de 2009 na Web ISSU.


[i] Veja adiante “O Ponto de Vista da sociologia diferencial”.

[ii] Veja Mauss, Marcel: “As Relações Reais e Práticas da Psicologia e da Sociologia“, in “Sociologia e Antropologia-vol.I”, São Paulo, EPU / EDUSP, 1974, 240 pp. (1ª edição em Francês: Paris, PUF, 1950).

[iii] A respeito da orientação coercitiva da teoria política, não haverá exagero em lembrar sua proposição contrária à sociologia de que a sociedade se manteria unida pelo exercício da força do grupo dos que detêm o controle de sanções e a capacidade de garantir a conformidade à lei, isto é, impor a coação. É a chamada “solução hobbesiana para o problema hobbesiano da ordem”. Cf. Dahrendorf, Ralf (1929 – 2009): “Ensaios de Teoria da Sociedade” (Essays in the Theory of Society), Rio de Janeiro, Zahar – Edusp, 1974, 335 pp. (1ª Edição em Inglês, Stanford, EUA, 1968).

(versão E-book com leitura em livre acesso)

Karl Marx e a Sociologia do Conhecimento - 2ªedição

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