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Posts Tagged ‘consciência coletiva’

Artigos de J.Lumier na Web Domínio Público do Ministério da Educação de Brasil

In dialectics, direitos humanos, history, laicidad, laicismo, Politics, portuguese blogs, sociologia, twentieth century on August 6, 2012 at 5:18 pm
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1 . Comunicação social e sociologia do conhecimento: artigos Jacob J. Lumier [ea] Edição do Autor .pdf 457.09 KB 7,015
2 . Cultura e consciência coletiva: leituras saint-simonianas de teoria sociológica Jacob J. Lumier [ea] Edição do Autor .pdf 1,017.75 KB 1,235
3 . Laicidade e dialética: dois artigos Saint-Simonianos para a sociologia do conhecimento Jacob J. Lumier [ea] Edição do Autor .pdf 554.80 KB 1,636
4 . Psicologia e sociologia: o sociólogo como profissional das ciências humanas Jacob J. Lumier [ea] Edição do Autor .pdf 872.51 KB 1,599
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Por un nuevo paradigma civilizatorio

In altermundialismo, direitos humanos, ecology, history on June 8, 2012 at 2:26 am

Posicionamiento hacia Río+20
Por un nuevo paradigma civilizatorio: Buen Vivir en armonía con la Madre Tierra para garantizar la vida

Coordinadora Andina de Organizaciones Indígenas – CAOI

Los pueblos indígenas andinos y sus organizaciones nos dirigimos a los Estados miembros de las Naciones Unidas, a sus representantes en la Conferencia sobre Desarrollo Sostenible Río+20, a las instituciones financieras internacionales, a las empresas multinacionales, a los movimientos indígenas y movimientos sociales del mundo, para plantear nuestras propuestas, sustentadas en nuestros saberes y prácticas ancestrales del Buen Vivir como alternativas a la crisis climática y a la crisis de civilización que sacuden el planeta; para decir que es indispensable y urgente que Río+20 signifique la ruptura con el capitalismo desarrollista depredador y la adopción de un nuevo paradigma civilizatorio sustentado en el diálogo y la armonía con la Madre Tierra.

Estamos convencidos de que en el marco del sistema capitalista no es posible hallar soluciones a la crisis climática. Los Estados toman acuerdos en las conferencias internacionales para luego hacer exactamente lo contrario en sus países. Entre su obligación de proteger derechos y salvaguardar la vida y servir a los intereses de las corporaciones multinacionales, optan por lo segundo.

En la Cumbre de la Tierra Río’92, 178 países aprobaron la Agenda 21, un conjunto de medidas a aplicarse en todos los ámbitos en los que los seres humanos afectan a la Madre Tierra. Veinte años después, los Estados, antes de tomar nuevos acuerdos, deben evaluar autocríticamente cuánto se ha cumplido de la Agenda 21.

Ahora, en Río+20, retoman el tema del desarrollo sostenible e introducen el de economía verde. La agenda está marcada por los negocios y se orienta a la mercantilización de la Madre Tierra, solo busca fortalecer el capitalismo. Pretenden imponernos un pensamiento único, cuando hoy más que nunca es indispensable incorporar todos los pensamientos, todas las cosmovisiones y todas las culturas al debate y la construcción de propuestas.

En las cumbres de desarrollo sostenible y las conferencias de partes de la Convención Marco de Naciones Unidas los países ricos eluden su responsabilidad, se niegan a modificar sus patrones de consumo, a reducir sus voluminosas emisiones de gases de efecto invernadero y solo acuerdan falsas soluciones basadas en los mecanismos de mercado.

Los Estados andinos carecen de políticas públicas para la protección de los glaciares, los páramos, el agua y la biodiversidad andina. Esto es producto de la presión de las corporaciones multinacionales que imponen las políticas económicas extractivistas que los gobiernos implementan. La minería se instala en nuestras cabeceras de cuenca, acaparando y destruyendo nuestras fuentes de agua.

Para facilitar el saqueo de los bienes naturales por las actividades extractivas, los Estados acuerdan megaproyectos como los de la Iniciativa para la Integración de la Infraestructura Regional Suramericana (IIRSA) y firman con los países industrializados tratados de libre comercio que impactan sobre los derechos de los pueblos y sobre la naturaleza. Las protestas ante estos atropellos son respondidas con la criminalización y con la militarización de los territorios.

Los pueblos indígenas andinos proponemos:

Pilar cultural: Reconocimiento de la cultura como cuarto pilar del desarrollo sostenible. No como folclor sino como el reconocimiento de una propuesta civilizadora emancipadora. La diversidad natural y la diversidad cultural están ligadas y deben ser igualmente protegidas. Demandamos a los Estados políticas públicas interculturales en salud, educación, justicia y todos los campos de la actividad humana.

Estándares de derechos: La Declaración Universal de los Derechos Humanos, la Declaración de la ONU sobre los Derechos de los Pueblos Indígenas, el Convenio 169 de la OIT, la jurisprudencia de los organismos internacionales y el Convenio sobre la Diversidad Biológica deben ser incorporados como estándares de derechos para la implementación del desarrollo sostenible. El consentimiento previo, libre e informado debe ser el estándar aplicable en todo lo que afecte a los pueblos indígenas. (…)

Coordinadora Andina de Organizaciones Indígenas – CAOI

Ler texto integral teclando aqui.

Sobre Juízos de Realidade e Juízos de Valor: notas de sociologia

In dialectics, history, portuguese blogs, sociologia, twentieth century on May 21, 2012 at 7:31 pm

DDHH, Direitos Sociais e Pluralismo

por

Jacob J. Lumier

 

Esta postagem é um prolongamento da Page de Sociólogos sem Fronteiras em Rio de Janeiro SSF/RIO

 

Epígrafe:

A falta de distinção entre os juízos de realidade e os juízos de valor torna impossível o acesso da análise sociológica a um dado fundamental da vida social que é a variabilidade”.

 **

►Max Weber desconheceu as teorias de consciência aberta.

Max Weber recomendou aos sociólogos com razão que, procedendo por compreensão interpretativa, procurassem os sentidos dos comportamentos sociais a fim de melhor os explicar em seguida.

Todavia, a qualificação desses sentidos ou significações como “internas” é o erro que Gurvitch assinala aos adeptos da concepção de que a consciência é voltada para si própria e não aberta às influências diversas da ambiência social (Gestalt).

Aliás, foi dessa maneira (qualificando os sentidos dos comportamentos sociais como “internos”) que Max Weber desconheceu as teorias de consciência aberta [i] e veio a tomar as significações práticas dos comportamentos sociais como isoladas da realidade social e sistematizadas pela teologia, ciência do Direito, notadamente pela filosofia da história.

►A sociologia tem competência para descobrir as perspectivas da sociedade

Do ponto de vista do realismo sociológico, a sociologia exige o abandono das ilusões do progresso em direção a um ideal, bem como o abandono das ilusões de uma evolução social unilinear e contínua.

A confusão com a filosofia da história é absolutamente inadmissível haja vista a capacidade da sociologia para alcançar perfeitamente por si só a situação presente da sociedade sem precisar de outra disciplina para isso.

Mais ainda: a sociologia exige o abandono das ilusões do progresso em direção a um ideal, bem como o abandono das ilusões de uma evolução social unilinear e contínua, sendo da competência da sociologia descobrir na realidade social as diversas perspectivas possíveis e até antinômicas que são postas para uma sociedade em vias de se fazer.

 ►O sociólogo reconhece a realidade do indivíduo e da sociedade.

As ilusões trazidas pela confusão com a filosofia da história se encontram favorecidas pela ocorrência de um erro lógico fundamental que é a falta de distinção entre os juízos de realidade e os juízos de valor. Desse erro decorre a confusão, pois em vez de explicar os desejos a partir da realidade social, constrói-se a realidade social em função desses desejos.

Posto que é mediante os juízos de realidade que se descobrem as perspectivas possíveis que são postas a uma sociedade, os juízos de valor são por sua vez as aspirações, os desejos e as imagens ideais do futuro, formam um dos patamares da realidade social, de tal sorte que o progresso em direção a um ideal só pode intervir na análise sociológica unicamente em vista de integrar esse progresso ideal em um conjunto de fatos sociais que a análise se propõe explicar. O sociólogo reconhece a realidade do indivíduo e da sociedade.

►Os juízos de valor se afirmam por meio da afetividade coletiva.

Quanto aos juízos de valor são os mesmos afirmados em relação ao desejável. Qualquer valor pressupõe a apreciação de um sujeito em relação com uma sensibilidade indefinida: é o desejável, qualquer desejo sendo um estado interior. A característica do desejável se estende a qualquer valor para além dos valores ideais (inclusive os valores estudados em economia, que têm assim alguma participação nos ideais).

Os valores ideais funcionam na vida social, isto é, guardam a característica de instrumentos de comunhão e princípios de incessante regeneração da vida subjetiva, e se afirmam indispensavelmente por meio da afetividade coletiva, a que se refere o termo desejável, e abarcam como disse as aspirações, os desejos e as imagens ideais do futuro.

►Afirmar um juízo de realidade implica reconhecer uma pessoa diferente de si.

Em sua especificidade, os juízos de realidade se referem ao fato de que a realidade é sempre de alguém, se afirma em um quadro social como minha, sua, nossa realidade; como a realide de outrem (dele), de um grupo, de uma classe, de uma sociedade.

Embora se efetue mediante os símbolos sociais, toda a comunicação social acontece em estado de realidade, e os indivíduos estão a todo o momento formulando juízos de realidade para poderem comunicar. Reconhecer a realidade de uma pessoa diferente de si, descrever seus procedimentos, sua maneira de ser e agir implica afirmar um juízo de realidade.

Por sua vez, a sociedade está sujeita a flutuações e até aos movimentos cíclicos e o progresso retilíneo em direção a um ideal particular, tomado como um movimento constante, como na filosofia da história, não pode valer mais do que para períodos determinados – em outros períodos a sociedade pode orientar-se em sentido oposto ao ideal ou por um ideal completamente diferente.

A falta de distinção entre os juízos de realidade e os juízos de valor leva a concepções restritivas da sociedade.

►A psicologia social em base psicanalítica só considera a mentalidade individual exclusiva.

Nota-se, por exemplo, que, ao procurar sempre explicar a vida social pelos recalcamentos e complexos, a psicologia social em base psicanalítica desconhece (a) a autenticidade humana dos juízos de realidade (b)bem como a experiência humana efetiva da mentalidade intergrupal, interindividual e coletiva; (c) só considera a mentalidade individual exclusiva, isto é, referida unicamente aos desejos.

Despreza o fato de que a realidade é sempre de alguém, e representa a sociedade através do elemento de coerção, como foco da repressão aos desejos individuais. Desta sorte, os indivíduos viveriam em eterno conflito com os comportamentos sociais tidos como restringidos aos modelos culturais e seus símbolos estandardizados [ii].

►Uma visão singular da sociedade é manifestação de caráter coletivo.

Mas não é tudo.  A falta de distinção entre os juízos de realidade e os juízos de valor torna impossível o acesso da análise sociológica a um dado fundamental da vida social que é a variabilidade.

Gurvitch nos lembra que a identificação da sociologia e da filosofia da história afirma a pressuposição monista que é absolutamente irreal. Vale dizer, não existe uma Sociedade com “S” maiúsculo, mas só há sociedades múltiplas, em tal sorte que o sociólogo é levado a pôr em relevo em cada sociedade a ocorrência de tendências variadas, e em cada crise o anúncio de diversas soluções possíveis.

O termo realidade social e o termo sociedade cobrem fenômenos muito diferentes segundo se trate de diferentes épocas históricas, de diferentes civilizações, de diferentes tipos sociais.

Uma visão singular da sociedade e um modo próprio de interpretar sua natureza são manifestações de caráter coletivo que se encontra em cada tipo de sociedade global.

Ora, o culturalismo abstrato de Max Weber articula uma concepção sem nenhum contato com essas manifestações do real concreto. Daí sua insuficiência.

***************


[i] As teorias de consciência aberta foram desenvolvidas por Bergson, por Husserl, por Bachelard e promovidas nos meios sociológicos por Gurvitch como levando à constatação da imanência recíproca do individual e do coletivo. Vejam Gurvitch, Georges (1894-1965): “Dialectique et Sociologie”, Flammarion, Paris, 1962, 312 pp., Col. Science.

[ii] Em meu livro “A Utopia Negativa: Leituras de Sociologia da Literatura”, Bubok, Madrid, 2011, 2ª edição, 148 págs, o problema da estandardização como efeito da indústria cultural no século XX é devidamente debatido em detalhes. http://www.bubok.es/libros/210606/A-Utopia-Negativa2-edicao-modificada

PEOPLE’S SUMMIT IN RIO+20: Global Call / Chamado global.

In altermundialismo, direitos humanos, ecology, history on March 16, 2012 at 9:04 pm

December 2, 2011

PEOPLE’S SUMMIT IN RIO+20 FOR ENVIRONEMMENTAL AND SOCIAL JUSTICE

Reproduzido e subscrito por Jacob (J.) Lumier, membro participante.

  1. PRESENTATION

Considering the “Rio+20 summit” to be held in Rio next year as a major event for social and environmental organizations, we must regard it as part of an historic process of the last 20 years, comprising the Earth Summit (ECO 92), the mobilizations on the UN social agenda, the struggles against the free trade agreements promoted by the WTO and ALCA, and more recently de Peoples Summit of Cochabamba.

Taking into account that civil society’s space must be autonomous, plural and democratic, we must respect diversity and different strategies of action and base our proposals on concrete solutions that will strengthen the power of social organizations and give voice and leadership to the peoples that are victims of the unequal globalization.

We affirm thatRio+20 should:

– Reject the market-based solutions for life and nature, the false solutions with the same old technologies that deepen iniquities and do not respect the precautionary principle

– Denounce the lack of improvements in environmental politics inBraziland in the world after the economic crisis

– Defend the common goods and give place to existing local alternatives developed by traditional communities, small farmers, organized urban communities, as for example the “permaculture” initiatives, agro-ecology projects, local economy initiatives, among others, and to organize campaigns in order that these initiatives could be supported by public policies.

– Promote a new paradigm for economy in which  it is adjusted in the light of life and must be based on ethical actions and decisions.

– Make an evaluation of the initiatives since Earth Summit (ECO 92) analyzing the progress of the conventions signed during last twenty years

– Promote campaigns and advocacy initiatives by social organizations in order to pressure the governments to take into account the CSO proposals the official process.

– Promote public awareness by campaigns and other forms of popular education, involving the public opinion in this process with different social groups. For this, different languages and tools of communication must be used, as community-based radios, social networks, as well as the alternative and traditional Medias.

-Rio+20 must also be a moment of reflection for movements and organizations so they can evaluate how to incorporate the proposed new paradigm  internally. The Rio+20 must mobilize millions of people inBraziland the in world, by means of thousands of activities before and during the event.

-Finally, the event must also leave a legacy for the city ofRio de Janeiroand for the world, being itself an example of the change we want to see in the planet.

 

  1. OBJECTIVES

The civil society organizations and international social movements are searching to transform the United Nations Conference on Sustainable Development (UNCSD) into a popular mobilization to face the serious crisis we are living, planet and humanity. We are working together to build a democratic process towards an independent forum named “People’s summit in Rio+20 for social and environmental justice”, willing to promote the civil society participation on the conference and affirming its political proposals to a vast range of stakeholders and citizens.

 

  1. 3.      PROCESS PROPOSAL

 

In order to assure a collective construction of the methodology for the process towards the Rio+20 People’sSummit, we affirm the following premises:

a) General Concept

– We take as starting point the aggravation, in the last few decades, of the social and ecological situation of the planet and the parallel growth of misery and social inequalities – local, regional and international -, aggravated for the most recent crisis of the capitalist economy;

– We believe it is very important to have an integrated vision about the social and environmental justice, as well as for the social and environmental sustainability. It is necessary to place the human rights in the center of the global agenda;

– We demand the recognition that the international experiences of social forums, peoples summits, international popular courts and grassroots meetings after the Earth Summit of Rio 1992 had built spaces of global debate and mobilization

– We search to take into account the rich and diverse experiences in these social networks and to highlight the contributions against hegemonic solutions.

– We look for spaces of influence in the UN official process and to influence it.

– We will start from the process around theRio+20 to build global campaigns willing to promote a new paradigm in popular actions for many millions of people.

 

– We will search, in synthesis, to affirm the presence of an alternative paradigm of society and to strengthen its political power with multiple convergences around the world.

– The PeoplesSummitmust be also a space to show real praxis of local production positive experiences , social economy and examples of practices shifting society to this new paradigm during the accomplishment ofRio+20.

 

b) Organization Process

In order to organize an independent process of dialogue with the international institutions, capitalist corporations and national governments, we search to create a plural landmark, taking into account the diversity and transforming it into a popular force; we search to surpass the fragmentation and divisions of the different struggles, by stimulating common convergences and agendas.

We want to incorporate in our process the strength, energy and initiative of thousands of organizations and movements of the whole world. For this, the starting point is their real experience, as much in its independent activity as in its capacity to converge with other citizens. On the other hand, our process should accept the challenge of overcoming the limits and divisions we found yet on the civil society today, searching to build networks and coalitions to face together the challenges and to launch common actions.

 

c) Strategic Issues:

We will seek to promote convergences around some strategic issues for the overcoming of the current model of society and for the affirmation of a new paradigm of civilization. Those issues needs to be discussed, built and presented in diverse and autonomous spaces emerging from this process, organized with the basis of these common issues and with inputs of each network’s historical process.

We propose to start this convergence from some inputs and concepts formulated by networks and facilitating committees in charge of different themes, in order to make a path to Rio+20 from rich experiences and organized common struggles.

The issues, questions and proposals approved to stimulate the debate in the different networks and groups are:

1) Which are the structural causes of the multiple crises and the failures in implementing the international agreements since 1992?

2) How we can build a new economy based on social and environmental justice?

3) How we can give visibility to the resistance and defense struggles of the peoples and territories and promote real solutions from the existing experiences of production, consumption and transformation of the future?

4) How to block the “commodification” of life, the privatization of the nature and the common good?

5) How to strengthen the existing strategies of struggles and common campaigns and how to promote and build new campaigns?

6) Which global governance we want in face of the current domination of corporate economic power?

 

d) International Coordination:

We suggest  linking the main processes that we are promoting on the social and environmental agenda willing to come up with common alternatives:

– The mobilization against G20 in Nice andCannes, in 3 and 4 November;

– The mobilization on COP17 inDurban, from 28 November to 9 December;

– The Thematic Social Forum inPorto Alegre, in January 2012

– The Alternative Water Water Forum, in Marseille, in March 2012

 

TEXTO EM PORTUGUÊS

Chamado Global

02/12/2011 13:45

CÚPULA DOS POVOS NA RIO+20

POR JUSTIÇA SOCIAL E AMBIENTAL

1. PRINCÍPIOS GERAIS

A Rio+20 é um evento-chave na agenda das organizações e dos movimentos sociais. É parte de um processo histórico ocorrido nos últimos 20 anos – que inclui a Eco-92, as mobilizações durante o ciclo social das Nações Unidas, a luta contra os tratados de livre comércio promovidos pela Alca e pela OMC e, mais recentemente, a Conferência dos Povos de Cochabamba, na Bolívia, entre outros momentos – que não começa nem se encerra nela mesma.

O espaço da sociedade civil global deve ser autônomo, plural, democrático, que respeite a diversidade, as diferentes formas de atuação e que convirja em posicionamentos comuns e em propostas concretas com o objetivo de fortalecer a intervenção das organizações sociais. Os atingidos pelo modelo vigente deverão ter voz e vez e ser protagonistas desse processo.

Feitas essas considerações, afirmamos que a Rio+20 deve:

– Rechaçar a mercantilização da vida e da natureza, as falsas soluções e as velhas e novas tecnologias que aprofundam iniquidades ou ferem o princípio da precaução;

– Denunciar a fragilização e o retrocesso em matéria de políticas sócio-ambientais no Brasil e no mundo;

– Defender os bens comuns e tornar visíveis as iniciativas existentes e colocadas em prática por comunidades, populações tradicionais, agricultores(as) familiares e camponeses, bem como aquelas empreendidas pelas comunidades urbanas organizadas, como a agroecologia, agrofloresta, economia solidária, permacultura, tecnologias sociais, entre outras, e pressionar para que tais iniciativas sejam apoiadas por políticas públicas;

– Trabalhar, no âmbito da discussão econômica,  na construção de parâmetros para um novo paradigma que pense a economia em função da vida, baseada em ações e decisões éticas;

– Fazer uma avaliação sobre as lacunas, efetividade e cumprimento dos tratados e convenções assinados nos últimos 20 anos, assim como resgatar os acúmulos produzidos pelas organizações sociais nesse período, pressionando os governos para que essas pautas sejam acolhidas no processo oficial;

– Promover a ampliação da conscientização dos diferentes grupos sociais por meio de campanhas e de outras formas de educação popular, sensibilizando e envolvendo a opinião pública nesse processo. Para isso, diferentes linguagens e ferramentas de comunicação devem ser utilizadas, como rádios comunitárias, redes sociais, bem como as mídias alternativas e a grande mídia;

– Proporcionar um momento de reflexão para que movimentos e organizações sociais possam avaliar como incorporar em suas dinâmicas internas a ótica da sustentabilidade;

– Deixar um legado para a cidade do Rio de Janeiro e também para o mundo, como um exemplo da mudança que queremos ver no planeta. Afinal, a Rio+20 deve mobilizar milhões de pessoas no Brasil e no mundo, por meio de milhares de atividades conectadas antes e durante o evento.

2. OBJETIVO COMUM

As organizações da sociedade civil e os movimentos sociais e populares de todo o mundo que buscam transformar o momento da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (UNCSD) em uma oportunidade para enfrentar os graves problemas com que se defrontam a humanidade e o planeta construirão, juntas, o processo que culminará na demonstração do fortalecimento do poder político da sociedade na realização, em junho de 2012, do evento denominado Cúpula dos Povos na Rio+20 por justiça social e ambiental, autônomo e paralelo à UNCSD.

3. PROPOSTA DE PROCESSO
Para a construção coletiva de uma metodologia para o processo rumo à Cúpula dos Povos na Rio+20, partimos das seguintes premissas:

a) Princípios norteadores:
– O agravamento, nas últimas décadas, da situação ambiental em todo o planeta, e o paralelo crescimento da miséria e das desigualdades sociais – locais, regionais e internacionais –, aprofundadas pela mais recente crise da economia capitalista;

–  A necessidade de tratar a questão da justiça ambiental e social, bem como da sustentabilidade social e ambiental de forma integrada.

– Colocar a efetivação dos direitos no centro da agenda global;

– Reivindicar as experiências das conferências e dos tribunais internacionais, cúpulas dos povos e fóruns sociais que, depois da Eco-92, construíram espaços de discussão e articulação globais;

– Evidenciar a multiplicidade de experiências sociais e ambientalmente relevantes para a construção de soluções contra-hegemônicas;

– Incidir sobre o processo oficial da ONU e, na medida do possível, influenciá-lo;

– Construir, a partir do processo em torno da Rio+20, articulações e campanhas capazes de desdobrar esse novo paradigma de forma visível para um grande número de pessoas;

– Afirmar a presença, em todos os terrenos, de um paradigma alternativo de sociedade, fortalecendo seu poder político e buscando múltiplas convergências.

– Afirmar, revindicar e visibilizar, na prática, as experiências de produção, consumo e de transformação da sociedade rumo a esse novo paradigma durante a realização da Rio+20.

b) A organização do processo
Para organizar um novo marco de discussão autônomo frente às instituições internacionais, corporações capitalistas e aos poderes nacionais, buscamos constituir um marco plural, que valorize a diversidade e transforme-a em força popular. Buscamos superar a fragmentação e a atomização das lutas, estimulando convergências e agendas comuns.

Queremos incorporar, em nosso processo, a força, a energia e a iniciativa de milhares de organizações e movimentos de todo o mundo. Para isso, o ponto de partida é sua experiência real, tanto em sua atividade autônoma como em sua capacidade de convergir com outros sujeitos. Por outro lado, nosso processo se depara com a necessidade de questionar e auxiliar a superação da fragmentação que marca hoje a sociedade civil, buscando construir coalizões para enfrentar os desafios e lançar ações comuns.

c) Questões estratégicas:
Animaremos discussões e convergências em torno de questões estratégicas para a superação do atual modelo de sociedade e para a afirmação de um novo paradigma de civilização. Tais questões deverão ser trabalhadas e respondidas a partir dos diversos espaços autogestionados, existentes ou emergentes a partir desse processo, que se organizem em torno de temas mobilizadores ou de seu histórico de luta e convergência.

Iniciaremos aqui esta discussão que, a partir de textos-base formulados por redes facilitadoras – responsáveis pela animação do enfrentamento de cada questão –, visa conduzir-nos à Rio+20 com um acúmulo relevante e com lutas comuns.

As questões propostas e aprovadas para estimular o debate nos grupos autogestionados são:

1) Quais são as causas estruturais das múltiplas crises e das falhas na implementação dos acordos internacionais?

2) Como podemos construir uma nova economia baseada na justiça social e ambiental?

3) Como podemos visibilizar as lutas de resistência e em defesa dos territórios e ampliar e revindicar as experiências existentes de produção, consumo e de transformação portadoras do futuro agora?

4) Como barrar a mercantilização da vida, a privatização da natureza e dos bens comuns?

5) Como potencializar as estratégias de luta e de articulação, as campanhas existentes e fazer emergir novas campanhas?

6) Que governança global queremos frente a atual arquitetura de poder?

d) Enlace internacional:
Desenvolveremos, em paralelo, um diálogo a respeito dos processos que impulsionamos com as agendas de lutas, mobilizações e construção de alternativas, entre as quais se destacam:

– O seminário de preparação da COP 17, realizado em setembro de 2011, na África do Sul;
– As mobilizações contra o G20 em Paris, realizadas em 3 e 4 de novembro de 2011;
– As mobilizações na COP 17, em Durban, de 28 de novembro a 9 de dezembro de 2011;
– o Fórum Social Temático, em Porto Alegre , em janeiro de 2012; e,
– o Fórum das Águas, em Marselha, em abril de 2012.

Comunicado oficial: Cúpula dos Povos no Aterro do Flamengo

In altermundialismo, direitos humanos, ecology, history on March 15, 2012 at 12:48 pm

DDHH, Direitos Sociais e Pluralismo

Comunicado oficial do Comitê Facilitador da Sociedade Civil Brasileira para a Rio+20

Divulgado em 14/03/2012 18:59

Diante de recentes publicações na mídia, o Comitê Facilitador da Sociedade Civil Brasileira para a Rio+20 vem a público pronunciar-se sobre a negociação do local de realização da Cúpula dos Povos.

O Comitê reafirma a unidade da sociedade civil na organização da Cúpula. Os princípios do Comitê residem, acima de tudo, na integração em meio à diversidade das entidades que o compõem.

Há oito meses, o Comitê negocia com o governo municipal, governo federal e com o Comitê Nacional de Organização da Rio+20 (CNO) o espaço de realização da Cúpula: o Aterro do Flamengo, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Além de aproximar a Cúpula dos Povos da sociedade civil como um todo, pretende-se resgatar no Aterro do Flamengo um momento histórico: há vinte anos, o espaço foi palco de intensos debates durante o Fórum Global, na Rio 92.

Participarão da Cúpula dos Povos representantes de movimentos socioambientais do Brasil e do mundo. Frente às dificuldades de acomodação na cidade do Rio de Janeiro, o Comitê também vem negociando com o governo e com o CNO a montagem de acampamentos e alojamentos alternativos.

As prioridades do Comitê são preservar e valorizar o patrimônio público, bem como garantir a integridade do evento, mantendo acomodações e atividades em áreas próximas, no entorno do Aterro do Flamengo.

O Comitê Facilitador da Sociedade Civil Brasileira para a Rio+20 é um grupo plural, formado por entidades da sociedade civil global. Dentro do Comitê, o Grupo de Articulação – responsável pelas decisões e direcionamentos políticos relativos à Cúpula dos Povos – reúne as seguintes redes e coletivos:

Rio de Janeiro, 14 de março de 2012

Comitê Facilitador da Sociedade Civil Brasileira para a Rio+20

Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, contra a mercantilização da vida e em defesa do bens comuns

http://www.cupuladospovos.org.br

 

2011 in review

In altermundialismo, dialectics, direitos humanos, ecology, history, laicidad, Politics, portuguese blogs, sociologia, twentieth century on February 27, 2012 at 7:53 pm

The WordPress.com stats helper monkeys prepared a 2011 annual report for this blog.

Here’s an excerpt:

The concert hall at the Sydney Opera House holds 2,700 people. This blog was viewed about 16,000 times in 2011. If it were a concert at Sydney Opera House, it would take about 6 sold-out performances for that many people to see it.

Click here to see the complete report.

Sociologia e Direitos Humanos

In altermundialismo, dialectics, direitos humanos, history, portuguese blogs, sociologia on January 27, 2012 at 11:09 am

Informação sobre o projeto intelectual do
Livro “Comunicação e Sociologia”, de Jacob (J.) Lumier.

Comunicação e Sociologia – artigos críticos / 2ª edição modificada

Comunicação e Sociologia – artigos críticos / 2ª edição modificada;

Contém notas, bibliografia e índice analítico eletrônico (sumário),

 Bubok Publishing, Madrid; 143 págs; 15x21cm; ISBN: 978-84-9981-937-2

(tem versão e-book)

***

  • Neste ensaio “Comunicação e Sociologia“, o autor Jacob (J.) Lumier elabora sobre as relações entre Sociologia e Direitos Humanos, tomando como ponto de partida a concepção concreta que afirma a efetividade da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela  Organização das Nações Unidas – ONU (1).

                               A compreensão sociológica aplicada põe em perspectiva as quatro liberdades que se compreendem por elas próprias, por serem liberdades humanas essenciais, a saber: Liberdade de Expressão, Liberdade de Culto, Liberdade para Querer, Liberdade contra o medo (Four Freedoms: Freedom of Speech, Freedom of Worship, Freedom from Want, and Freedom from Fear), cujos comentários o autor publica em artigo especial, intitulado “Efetivismo e Sociologia” (2), incluído no final do seu livro.

  •    Os Direitos Humanos tomam parte das forças produtivas em sentido lato e, desta forma, desempenham um papel constitutivo nos próprios quadros sociais.

►Mas não é tudo. A compreensão sociológica de que os focos dos Direitos Humanos são as liberdades humanas essenciais, que se compreendem por elas próprias e, em razão deste fato, são mais do que variáveis lógicas, põe em relevo não só o pluralismo efetivo da realidade social, mas, igualmente, o fato de que os conjuntos práticos são abertos à criação e, em sua variabilidade efetiva, ultrapassam a reprodução dos paradigmas do sistema.

Deste ponto de partida, o autor defende a proposta de que um bom caminho para explicitar as relações entre Sociologia e Direitos Humanos passa pela crítica aos paradigmas de localização (3), amplamente aplicados nos conhecidos estudos de estratificação social, onde prevalecia a antiga concepção ideológica de que os conjuntos práticos seriam inertes, de tal sorte que, inseridas no determinismo das posições, as mudanças sociais se restringiriam à busca das vantagens, que diferenciam as posições na hierarquia de prestígio e fortuna.

Quer dizer, uma vez situados na sociabilidade, como aspectos da vida espontânea do Direito – portanto incluídos no ambiente microssociológico que reproduz o equilíbrio parcial entre as prerrogativas de uns e as obrigações de outros –, juntamente com as demais manifestações da consciência – tais como a linguagem e a intervenção do conhecimento –, os Direitos Humanos tomam parte das forças produtivas em sentido lato e, desta forma, desempenham um papel constitutivo nos próprios quadros sociais.

  •     O problema sociológico da consciência coletiva é tornar possível compreender a própria possibilidade de comunicação universal entre os seres humanos.

► Por via do reconhecimento do papel constitutivo da consciência nos quadros sociais, Jacob (J.) Lumier revaloriza não só a introdução do problema da consciência coletiva, por Emile Durkheim (1858-1917), que trouxe a psicologia coletiva para o domínio da sociologia, mas, igualmente, põe em relevo a descoberta por Karl Marx (1818-1883) da realidade social por trás da dialética das alienações, que consolidou a pesquisa em psicologia coletiva como aquisição sociológica. Neste marco, o autor sociólogo adota a mirada diferencial (4) e expõe que o problema sociológico da consciência coletiva é tornar possível compreender a própria possibilidade de comunicação universal entre os seres humanos, o que está a exigir uma interpretação realista da consciência, como virtualmente aberta e imanente ao ser.

Partindo da constatação de que, sem prejudicar o seu esvaziamento eventual, e para servirem de base à comunicação universal, os símbolos devem ter para todas as consciências individuais um significado, a orientação em realismo sociológico põe em relevo que isto pressupõe uma união, uma fusão parcial das consciências, anterior a qualquer comunicação simbólica. Tal é a orientação que o autor considera dever contrapor à concepção que reduz a consciência coletiva a uma simples resultante das consciências individuais isoladas, tidas como ligadas entre si pelas suas manifestações exteriores nos signos e nos símbolos.

Quer dizer, Jacob (J.) Lumier partilha a constatação de que a realidade dos níveis culturais na vida coletiva – os níveis simbólicos e significativos, as ideias, os valores e os ideais – desempenha um papel de primeiro plano que ultrapassa a consideração dogmática dos mesmos como simples epifenômenos, projeções ou produtos. Pelo contrário, a consciência coletiva os apreende, sendo, portanto, uma consciência situada no ser, intuitiva e capaz de se multiplicar em um mesmo quadro social.

Daí, a consciência coletiva é estudada (a) não só nas suas manifestações na base morfológica das sociedades, nas condutas organizadas e regulares, nos modelos, signos, atitudes, funções sociais, símbolos, ideias, valores e ideais coletivos, obras de civilização; (b) principalmente nas estruturas e nos fenômenos não estruturais (estudados em microssociologia); mas, (c) igualmente em si própria, já que a consciência coletiva não se realiza inteiramente em qualquer desses elementos, e pode extravasá-los em expressões imprevisíveis, inesperadas e até surpreendentes (5).

  •   As manifestações da sociabilidade são as primeiras antíteses salutares que se opõem aos campos prático-inertes.

►A tese fundamental de pesquisa, nesta obra “Comunicação e Sociologia – artigos críticos”, afirma que as manifestações da sociabilidade são as primeiras antíteses salutares que se opõem aos campos prático-inertes (6). Em razão deste fato, as mesmas viabilizam a dialética das três escalas descobertas na realidade social (7), de tal sorte que nenhuma teoria de passagem à história – ainda que privilegiem a práxis das classes sociais – alcançará e incluirá os níveis mais elementares e irredutíveis da realidade sem levar em conta tais maneiras de ser ligado pelo todo no todo, que são as manifestações da sociabilidade.

  •   Duas seções.

O texto de “Comunicação e Sociologia” pode ser classificado em duas seções. Uma que agrupa a exposição sobre a mirada diferencial, e inclui os seguintes capítulos: “A Mirada Diferencial”, “Notas Críticas sobre as Teorias de Interação”, “A Ausência de Mirada Diferencial em Satre”, “Efetivismo e Sociologia”.

Na outra seção do livro, incluindo os demais capítulos, é questão, notadamente, das aplicações da dialética das três escalas, como recurso para elucidar o posicionamento crítico do sociólogo em face do utilitarismo, estudado (a) em relação ao problema do conhecimento e das tecnologias de informação e comunicação (tics); (b) em relação aos determinismos da vida moral. Deve-se notar, ademais, que a crítica à tecnificação do saber e à imposição do primado da lógica nas relações humanas, comentada em alguns capítulos, faz par com a oposição sociológica ao utilitarismo doutrinário.

NOTAS COMPLEMENTARES

1)    Declaração adotada pela Organização das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948 (A/RES/217) http://www.ohchr.org/EN/UDHR/Pages/Introduction.aspx
2)    Ver “Efetivismo e Sociologia: Uma reflexão em vista dos Direitos Humanos e Sociais”, pág 125 do livro em pauta.
3)    Esta orientação é sustentada pelo autor em seus comentários sobre as contribuições de Gastón Bachelar (1884 -1962) em “Le nouvel esprit scientifique (1934)”.
4)    A mirada diferencial assimila e desenvolve no plano da teoria sociológica e da dialética a diferença de que a cultura dos “de cima” não é a mesma dos “de baixo”.
5)    Esse caráter imprevisível, inesperado e surpreendente da consciência coletiva pode ser facilmente constatado hoje em dia, na profusão de movimentos sociais que se mobilizam e irrompem tanto nas sociedades mais desenvolvidos quanto em países com pouca experiência de Democracia.
6)    Os campos prático-inertes (termo introduzido pelo filósofo Jean Paul Sartre / 1905-1980) formam a base morfológica das sociedades, onde se inclui a instrumentalização da realidade material, com toda a aparelhagem técnica que circunda o homem e, mais amplamente, com todas as expressões exteriormente perceptíveis dos produtos humanos.
7)    A realidade social é descoberta nas três escalas seguintes: [1] em escala microssociológica – inclui (a) os Nós, os seus três graus de intensidade e coesão, afirmados, respectivamente, como Massa, Comunhão, Comunidade; e (b) as relações com outrem; [2] em escala parcial – inclui os agrupamentos sociais particulares, (dentre eles o Estado, como bloco de localidades) e as classes sociais; [3] em escala das sociedades globais. Veja Gurvitch, Georges: (1894-1965): “Dialectique et Sociologie”, Flammarion, Paris 1962, 312 págs. Col. Science.

O PROBLEMA DA IDENTIFICAÇÃO HETEROPÁTICA NO ESTUDO DA CONSCIÊNCIA COLETIVA

In dialectics, history, sociologia on January 17, 2012 at 2:23 pm

 

DDHH, Direitos Sociais e Pluralismo

Notas de Sociologia

Por
Jacob (J.) Lumier

  • O argumento de Durkheim da coincidência total entre consciência coletiva e consciência individual, pelo predomínio exclusivo da solidariedade mecânica, vale unicamente como um argumento que tem em vista a identificação heteropática
  •         O fenômeno da identificação nada tem a ver com a identidade dos conteúdos, nem com a identidade das próprias consciências, nem, finalmente com a ligação das consciências por uma participação recíproca.

***

 Como se aprende nos trabalhos de Georges Gurvitch  , o argumento durkheimiano pela identidade das consciências individuais e sua identificação, para fundamentar a existência da consciência coletiva como um termo médio, deve ser situado em relação ao fenômeno da identidade como identificação heteropática, e deve ser examinado a partir das seguintes possibilidades sociológicas:
                (1º) – tendo as consciências individuais conteúdos idênticos, elas próprias em razão desse fato não são, de modo nenhum, subjetivamente idênticas, isto é, não integram a mesma mentalidade. Trata-se, nesse argumento, uma identidade de caráter mais lógico ou ontológico do que psicológico, e deve ser pesquisada a partir dos seguintes conhecimentos e razões:
(a) – considerando que as consciências mais diferenciadas e mais individualizadas podem ter as mesmas representações e percepções; e,
(b) – que podem servir de pontos de referência aos mesmos juízos; se constata então que (…):
(c) – a identidade das consciências individuais é proveniente, neste caso, não do ato mental, não da intuição ou do juízo afirmado, mas, sim, da obra realizada, ou seja: da objetividade;
(d) – aprofundando neste marco da obra realizada, tal identidade das consciências individuais revela-se como provindo da identidade dos mesmos dados do ser ou da verdade, que se impõe aqui às consciências.
                (2º) – Por sua vez, esta segunda possibilidade sociológica trata não de uma situação de fato, como a possibilidade anterior, portanto não estaria a exigir uma constatação decorrente de conhecimentos confrontados. Antes disso, versa sobre uma afirmação interpretativa e sobre o respectivo juízo de valor afirmado.
    Com efeito, Gurvitch observa que a afirmação da mais perfeita identidade das consciências deixa-as em estado isolado, e não conduz por si própria a qualquer ligação entre elas. Isto porque, ao nível dos fatos, se, mais do que similares, as consciências individuais podem mostrar-se como idênticas entre si sob um determinado aspecto (devido à mesma educação, por exemplo), elas podem também mostrar-se muito diferentes sob outro aspecto.
        ►Sem embargo, a afirmação da identidade perfeita em Durkheim tem uma vertente especulativa, que Gurvitch não deixa passar em silêncio. Vale dizer, a identidade perfeita pressupõe a oposição entre consciência racional e consciência sensível, e tem precedente na doutrina da consciência transcendental ou consciência pura, de Kant, tomada como oposta à consciência empírica.
        Por outras palavras, na argumentação de Durkheim em favor da transcendência da consciência coletiva nota-se, então, a doutrina da filosofia que estabeleceu uma consciência pura – a qual, Kant e Rousseau antes dele, afirmaram ser idêntica em todos  –, ao passo que as consciências empíricas são particulares. Em consequência, mesmo sob a forma de tal “oposição consciência pura / consciência empírica”, a identidade das consciências não conduz a qualquer ligação direta entre as consciências, que permanecem isoladas entre si.
        Segundo Gurvitch, invalidando a utilização do argumento da identidade das consciências entre si, para fundamentar a existência da consciência coletiva como termo médio comum, a verdade desta conclusão pode ser confirmada pelo próprio posicionamento de Kant, diante de sua teoria do conhecimento – em que a unidade da percepção transcendental, por um lado, e, por outro lado, a razão prática, ambos convergem para um elemento de identidade inerente às consciências individuais –, já que o encontro do elemento de identidade não levou Kant a ultrapassar o individualismo. Aliás, esse posicionamento de Kant somente reafirma o conhecimento de que exemplares idênticos do mesmo gênero não se encontram em modo algum ligados entre si, nem formam uma totalidade concreta.  

                (3º) – Gurvitch conclui sua crítica apreciando a possibilidade de relacionar o fenômeno da identificação estudada na psicologia infantil e patológica, por um lado, com, por outro lado, o mencionado argumento em favor da identidade das consciências individuais e sua identificação, sugerido por Durkheim para fundamentar a existência da consciência coletiva, como um termo médio.
        Esclarece inicialmente (a) – que, no fenômeno da identificação, em vez de duas ou mais consciências, só uma resta; (b) – que, na identificação heteropática, se afirma a consciência com a qual nos identificamos; (c) – que, na identificação idiopática se afirma, pelo contrário, não aquela consciência outra, mas, antes, a consciência do sujeito que identifica Outrem ou Nós consigo próprio .
        Note-se que o fenômeno da identificação nada tem a ver com a identidade dos conteúdos, nem com a identidade das próprias consciências, nem, finalmente com a ligação das consciências por uma participação recíproca. Gurvitch só admite que o argumento de Durkheim da coincidência total entre consciência coletiva e consciência individual, pelo predomínio exclusivo da solidariedade mecânica, vale unicamente como um argumento que tem em vista a identificação heteropática – excluindo então a identificação idiopática, que seria o aniquilamento da consciência coletiva na consciência individual.
        Em resumo, a identificação heteropática com a consciência coletiva sendo admitida, repelida fica, todavia, que tal identificação possa servir de base para explicar a realidade específica da consciência coletiva. Isto porque tal identificação só é possível na medida em que a consciência coletiva já exista!

***

►Apesar da compreensão de que o fenômeno da identificação nada tem a ver nem com a identidade dos conteúdos nem com a identidade das próprias consciências, nem, finalmente com a ligação das consciências por uma participação recíproca  , o sociólogo admite que em alguns agrupamentos e sociedades se manifestem casos intermediários, isto é, casos onde a separação entre o aspecto mental dos Nós e o fenômeno da identificação é menos nitidamente acentuada que noutros casos.  Assim, nos são dados os exemplos seguintes:
Os Nós constituídos por membros de seitas em êxtase místico, por iniciados nos mistérios antigos, por fiéis de um chefe político, por participantes em multidões exaltadas, podem um pouco aproximar-se dos fenômenos de identificação patológica, respectivamente, do homem com o seu Deus, com o seu Chefe, com o seu Herói, com o seu Pai, etc.
  Nota-se que o psiquismo dos Nós onde predominam estados emotivos está mais sujeito ao deslize para esses fenômenos de identificação do que a mentalidade dos Nós onde predominam os estados intelectuais ou voluntários.  Bem entendido, os Nós que servem de focos aos atos mentais (intuições, juízos) estão mais preservados do que os Nós que servem exclusivamente de quadros aos estados mentais (opiniões).

  • A mediação comunicativa

Em acordo com a teoria sociológica  , compreende-se que todos os Nós se encontram fundados em intuições coletivas no estado virtual (não traduzidas em juízos): “sem a presença das intuições coletivas virtuais, a existência dos Nós seria impossível, como seria impossível a ação dos símbolos que facilitam o funcionamento dos Nós e levam os seus membros à participação”.
Com efeito, a análise sociológica mostra que “a própria imanência dos Eu ao Nós e dos Nós ao Eu não pode efetuar-se se não for a partir de uma base intuitiva, mais não seja que virtual; é nisso precisamente que consiste em última análise a fusão parcial ou interpenetração”.
Ao mesmo tempo, quaisquer que sejam, todos os Nós funcionam como precedendo qualquer mediação comunicativa por meio de sinais e símbolos, que poderia em seguida contribuir para sua conservação, sua consolidação e o seu reforço – o exemplo da língua impondo-se aqui.
Ninguém contestará a importância do papel desempenhado pela língua na aproximação, na ligação, na interpenetração, na participação dos sujeitos individuais e coletivos nos conjuntos práticos. Mas, para que os símbolos de uma língua provoquem os mesmos efeitos em todos que a falam, para que a própria língua se constitua é preciso que ela possa apoiar-se em uma união prévia, em um Nós preexistente.  

***
Leia mais:
►Lumier, Jacob (J.): “Psicologia e Sociologia: O Sociólogo como Profissional das Ciências Humanas”, 16 de febrero de 2008, PDF 170 págs. link http://www.oei.es/noticias/spip.php?article2005
►Lumier, Jacob (J.): Dialética e Consciência Coletiva: Artigos de Teoria Sociológica, 2ª edição, Fevereiro de 2011, versão e-book PDF, 235 págs.http://www.scribd.com/doc/52059337/Dialetica-e-Consciencia-Coletiva

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