SSF/RIO

Archive for the ‘públicos’ Category

Contra a censura e pelo pensamento crítico

In comunicação social, convenções internacionais, Democracia, desenvolvimento, direitos humanos, públicos, Politics on March 3, 2017 at 4:22 pm

Apoiamos e subscrevemos inteiramente a ação contra a censura e a supressão do pensamento crítico promovida hoje, 3 de Março, pelo Relator Especial das Nações Unidas para a Liberdade de Opinião e de Expressão, David Kaye, juntamente com os relatores especiais da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos (CADHP) [The United Nations (UN) Special Rapporteur on Freedom of Opinion and Expression, the Organization for Security and Co-operation in Europe (OSCE) Representative on Freedom of the Media, the Organization of American States (OAS) Special Rapporteur on Freedom of Expression and the African Commission on Human and Peoples’ Rights (ACHPR) Special Rapporteur on Freedom of Expression and Access to Information]

Como sabem, os principais observadores da liberdade de expressão em todo o mundo se reuniram para debater sobre a liberdade de expressão e emitir uma declaração conjunta, centrando-se este ano nas chamadas notícias falsas, desinformação e propaganda. Ver press release online

As notícias falsas trazem o risco de que os esforços feitos para combate-las possam conduzir à censura, à supressão do pensamento crítico e outros enfoques contrários aos direitos humanos.

Nessa declaração conjunta, identificamos os princípios gerais que devem aplicar-se a qualquer esforço para tratar essas questões.

 

The Joint Declaration is available here

 

Leia também o artigo de Jacob J. Lumier: http://observatoriodaimprensa.com.br/sem-categoria/o-diferencial-da-liberdade-de-expressao/

 

Jota terno 2016_B

 

 

Jacob J. Lumier – Movimento dos Direitos Humanos

Lei antiterrorismo do Brasil é muito ampla.

In análise, Bem-estar, cidadania, comunicação social, Democracia, direitos humanos, movimentos sociais, públicos, pesquisa, Politics, portuguese blogs on November 4, 2015 at 11:00 pm

O projeto de lei antiterrorismo atualmente em discussão no Congresso brasileiro está redigido em termos demasiado amplos e poderia restringir indevidamente as liberdades fundamentais.


A definição do crime estabelecida pelo projeto de lei pode resultar em ambiguidade e confusão na determinação do que o Estado considera como crime de terrorismo, potencialmente prejudicando o exercício dos direitos humanos e das liberdades fundamentais.


O projeto de lei no. 101/2015 visa definir os crimes de terrorismo no Brasil e dispõe ainda sobre procedimentos investigatórios e processuais. No dia 28 de outubro de 2015, o Senado brasileiro aprovou a proposta por 34 votos favoráveis e 18 contrários. O texto alterado deve voltar à Câmara dos Deputados.


É de lamentar que o atual projeto de lei excluiu um artigo anterior que estabelecia uma salvaguarda importante que garantia que a participação em manifestações políticas e em movimentos sociais não fosse considerada no âmbito dessa lei.

Os Estados têm o dever de proteger a sociedade civil e os direitos fundamentais para sua existência e seu desenvolvimento, como os direitos à liberdade de associação e reunião pacífica e à liberdade de expressão .

Definições imprecisas ou demasiado amplas sobre terrorismo abrem a possibilidade do uso deliberadamente indevido do termo. Por isso, legislações que visam combater o terrorismo devem ser suficientemente precisas para cumprir com o princípio de legalidade, a fim de evitar que possam ser usadas contra a sociedade civil, silenciar defensores de direitos humanos, blogueiros e jornalistas, e criminalizar atividades pacíficas na defesa dos direitos das minorias, religiosos, trabalhistas e políticos.

Quando leis voltadas para a promoção da segurança podem afetar as liberdades fundamentais, os Estados devem sempre assegurar que os princípios de necessidade, proporcionalidade e não discriminação sejam inteiramente respeitados.

As medidas contra o terrorismo que têm um impacto negativo na capacidade de ONGs para atuarem de forma efetiva e independente estão fadadas a ser, em última instância, contraproducentes na redução da ameaça imposta pelo terrorismo.

O projeto em questão foi encaminhado ao Senado em 19 de agosto de 2015, depois de ser aprovado pela Câmara dos Deputados, e sua apreciação segue em regime de urgência.

Cabe lembrar que as consultas públicas no processo legislativo são um elemento sempre indispensável ao desenvolvimento de políticas e na preparação de legislação.

FIM

A Internet e os artigos científicos

In comunicação social, conhecimentos universitários, divulgação científica, públicos, pesquisa on January 24, 2010 at 6:00 pm

Os fundamentos da redação científica tiveram importantes transformações nos últimos anos, mas essas mudanças ainda não foram integralmente assimiladas por grande parte dos pesquisadores, que reproduzem – e muitas vezes ensinam – equívocos teóricos e conceituais que podem até mesmo retardar o avanço da ciência.

Essa é a opinião de Gilson Volpato, professor do Departamento de Fisiologia do Instituto de Biociências de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que em seu novo livro, Pérolas da redação científica, analisa criticamente 101 equívocos comuns – ou “pérolas”.

Volpato vem apresentando pelo país cursos sobre redação científica e publicou outros cinco livros sobre o assunto, sendo o mais recente desses Bases teóricas da redação científica … por que seu artigo foi negado, lançado em 2007.

“Apresento quase um curso por semana sobre o tema, procurando ajudar pesquisadores a conseguir publicações em revistas internacionais de alto nível. Mas também há muitos que, de forma involuntária, têm feito o serviço contrário. Desenvolveu-se, no Brasil, uma cultura de publicação equivocada. Boa parte dos artigos nacionais, mesmo com tradução correta, será recusada em revistas importantes, por terem equívocos conceituais”, disse à Agência FAPESP.

Com a experiência acumulada nos cursos e em seu convívio com o meio acadêmico, Volpato decidiu produzir um inventário dos principais equívocos da redação cientifica. “A ideia foi abordar os erros mais gritantes. O resultado foi essa coleção de ‘pérolas’ da cultura nacional de publicação”, disse.

Na obra, o autor analisa os equívocos, faz conjecturas sobre suas origens, discute suas consequências na prática e oferece correções com base nos padrões internacionais de produção científica.

Segundo ele, os conceitos de comunicação no setor sofreram grande mudança a partir da década de 1990, que se acentuou ainda mais nos últimos dez anos, em parte por causa do advento da internet.
(…)

Especiais:Como não fazer um artigo -8/1/2010

Por Fábio de Castro

Leia a continuação na Web da Agência de Notícias da Fapesp

O trabalho científico, os públicos e o falso saber

In metodologia científica, públicos, senso comum, sociologia, sociologia do conhecimento on June 22, 2009 at 2:57 pm

O trabalho científico, os públicos e o falso saber

A construção dos objetos precisos da experiência e do conhecimento sendo presidida pelo procedimentos de dialetização [1] descarta a aplicação de qualquer “paradigma” ou modelo de análise exterior à explicação sociológica ou que pretenda substituir os procedimentos dialéticos tirados da realidade social ela mesma.

Deste ponto de vista, a marcha dos temas coletivos reais se desdobra no avanço da colocação em perspectiva sociológica do conhecimento, como um fato “transparente” cada vez mais acentuado ao longo dos séculos modernos e definitivamente assimilado na cultura do século XX.

Assim por exemplo, tornou-se extremamente difícil esperar que o público não profissional acolha a distinção metodológica entre (a) as proposições testáveis ou “formulações irrealistas” dos sociólogos científicos, feitas “no interesse da boa teoria científica” – como o postulado do comportamento que se conforma aos papéis sociais – por um lado e, por outro, (b) as afirmações de valor sobre a natureza do homem, que sejam atribuídas como decorrentes ou implícitas naquelas proposições teoréticas.

Ralf Dahrendorf reconhece que, por trás desta atribuição indevida de valor, tida por uma “espécie de reificação dos postulados”, observa-se que “o público geral não compreende a distinção sutil entre as afirmações entendidas realisticamente e os postulados deliberadamente irrealísticos de uma teoria (conjectural) científica“. Estes últimos implicam uma divergência fundamental do mundo do senso comum que está no cerne da “contradição” entre esse “mundo do senso comum” e a ciência.

Esta, por sua vez, ao mesmo tempo em que acolhe a inadequação de um argumento puramente lógico, como ressalta aquele autor, – a “lógica da pesquisa científica sendo especificamente baseada na incerteza fundamental do conhecimento humano” – não é, entretanto possível sem a publicidade [2].

Desta forma, é inegável que esta situação de aparente contradição em face da incompreensão pelo público geral da “distinção sutil” de Dahrendorf acima destacada revela-se dialética.

Por esta via, nos colocam diante de duas orientações complementares, atinentes ao público da ciência como quadro social, configurando-se um caso de variação do saber, seguinte: (a) – se é o caráter profissional que se impõe ao público da ciência, há compreensão da distinção sutil entre as afirmações entendidas realisticamente e os postulados deliberadamente irrealísticos. E a classe do conhecimento científico, então, prevalece.

(b)- Se, pelo contrário, é o caráter não-profissional que se impõe há “não-compreensão”, e a classe do conhecimento do senso comum prevalece, com a atribuição de uma imagem sobre a “natureza do homem” sendo afirmada em um “falso saber”.

Desta forma vem a ser suscitada a sociologia do conhecimento, que exige a análise diferencial das classes de conhecimento. Quer dizer, a análise das sete classes do conhecimento mais profundamente implicadas (a)-na realidade social e (b) – na engrenagem de suas estruturas. A saber: 1) o conhecimento perceptivo do mundo exterior, que se nos apresenta como um domínio privilegiado, 2) o conhecimento de outro, dos Nós, dos agrupamentos particulares, das classes sociais e das sociedades; 3) o conhecimento de senso comum, 4) o conhecimento técnico, 5) o conhecimento político, 6) o conhecimento científico, 7) o conhecimento filosófico [3] . <!–[if supportFields]> XE “conhecimento perceptivo do mundo exterior:dá conta das perspectivas recíprocas sem as quais não há funções sociais;” <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–><!–[if supportFields]> XE “conhecimento de outro:diretamente apreendido nos atos mentais;” <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–><!–[if supportFields]> XE “classes sociais” <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–><!–[if supportFields]> XE “conhecimento político:concilia partidarismo e realismo;” <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–><!–[if supportFields]> XE “conhecimento científico:busca a união do conceitual e do empírico;” <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>

***



[1] Gurvitch, Georges (1894-1965): “Dialectique et Sociologie”, Flammarion, Paris 1962, 312 pp., Col. Science.

[2] Dahrendorf, Ralf: “Ensaios de Teoria da Sociedade”, Trad. Regina Morel, Revisão E Notas Evaristo de Moraes Filho, Zahar – Editora da Universidade de São Paulo (Edusp), Rio de Janeiro 1974, 335 pp. (1ªedição Em Inglês, Stanford, EUA, 1968). Cf. págs.114 a 117.

[3] Leia mais em Jacob (J.) Lumier: “Leitura da Teoria de Comunicação Social“, Web da OEI, 2007,

%d bloggers like this: