SSF/RIO

A Sociologia do saber histórico

In dialectics, history, portuguese blogs, sociologia on October 27, 2011 at 11:20 am

DDHH, Direitos Sociais e Pluralismo

Introdução ao artigo os tempos sociais, a sociologia e a história.

A microssociologia tem ponto de partida na crítica imanente a Durkheim, em modo realista, mediante a análise das duas espécies da sociabilidade: (a) por fusão parcial em os Nós e (b) por oposição parcial em um Nós, desenvolvendo-se daí a dialética como ligada à experiência pluralista e à variabilidade, por exigência da constatação de que, em os Nós, as relações com outrem não podem ser identificadas nem às fases históricas da sociedade global, nem aos agrupamentos particulares  .

E isto é assim porque, em face da diversidade irredutível dos Nós, onde se desenvolvem as manifestações de sociabilidade por relações com outrem, revela-se impraticável toda a possibilidade de síntese, que ultrapassasse a combinação variável dessas relações microscópicas.

Quer dizer, mesmo no estado muito valorado pelos estudiosos da história social, quando as relações com outrem são distribuídas hierarquicamente e servem de ponto de referência a uma estrutura social (relações com o Estado, relações com a classe burguesa, etc.), a síntese não ultrapassa o estado de combinação variável, em que pese o parecer em contrário de Fernad Braudel  .

Sem embargo, o estudo sociológico esquiva-se da grande tentação que espreita a ciência da história, e evita adotar a “predição do passado”, comumente convertida em projeção dessa predição no futuro. Tal o foco de tensão com os historiadores, às vezes esvaziada devido a que o estudo sociológico efetua-se sem adotar uma doutrina filosófica da consciência moral, nem atribuir aos fatos morais uma origem histórica.

Para apreciar a diferença entre tempo sociológico e tempo histórico é preciso distinguir a realidade estudada, o método aplicado a esse estudo e o objeto que resulta da conjugação de realidade e método.

O caráter histórico de uma realidade social é múltiplo, havendo graus de percepção de que a ação humana concentrada pode mudar as estruturas e permitir revoltas contra a tradição (graus de prometeísmo).

Expresso na historiografia, o saber histórico se concentra exclusivamente sobre a realidade histórica, acentuando muito o primado das sociedades globais como sujeitos “fazendo história”. Por sua vez, a sociologia salienta “o complexo jogo” entre as escalas do social que se pressupõem uma a outra, quer dizer: procura confrontar a realidade histórica com “os planos sociais não-históricos ou pouco históricos”, como o são os elementos microssociais e os grupais, respectivamente.

Sobressai que as manifestações prometeicas da realidade social são as que menos se prestam à unificação, registrando-se aqui um segundo foco de tensão com os historiadores, já que estes tendem para uma unificação muito intensa da realidade social, enquanto o sociólogo reconhece a resistência da realidade histórica à unificação, facilmente verificada no conflito de versões.

Por tal razão, o sociólogo busca acentuar a diferenciação e a diversificação, que considera muito ativada pelos planos sociais em competição.

O caráter muito mais continuísta do método histórico pode ser facilmente constatado, na medida em que, como ciência, a história é conduzida a vedar as rupturas, a lançar pontes entre diversas estruturas, em um procedimento cuja consistência não passa de manifestação do pensamento ideológico. Daí a validade da crítica ao continuísmo do método histórico: a adoção do pensamento ideológico não só abre espaço, mas indica a carência nesse método de uma sociologia do saber histórico.

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