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OUSADIA NA CONCEPÇÃO DA MONOGRAFIA

In conhecimentos universitários, metodologia científica, monografia on June 21, 2009 at 1:52 pm

SOBRE A OUSADIA NA CONCEPÇÃO DA MONOGRAFIA

Fragmento extraído do blog “Obras de Jacob (J.) Lumier” in

http://leiturasjlumier.spaces.live.com/


Alguns pragmatistas sustentam que o pesquisador iniciante deve ser advertido quanto à idealização da monografia como obra intelectual. Frequentemente dizem que é preciso acautelar-se para não projetar a imagem de grande obra nem o sonho da obra perfeita evitando tomar a monografia como a realização desejada para acertar suas contas diante dos males da vida presente. Com esta orientação exagerada, pretendem aqueles reprimir a ousadia na concepção original da monografia e conter o pesquisador iniciante em sua aspiração para investigar os grandes problemas.

Ora, não há dúvida que uma dose de pragmatismo deve ser observada em qualquer atividade produtiva para imprimir-lhe a qualidade da utilidade. Nada obstante, na criação intelectual revela-se indispensável uma boa dose de ideal, sobretudo em uma realização do talento individual como o é a autoria de uma monografia. Ousadia não é sinônimo de sonho perfeccionista ainda que, como se sabe, a perfeição seja liminarmente almejada em toda a arte composicional. Muitas vezes, é verdade, pode ocorrer que o pesquisador iniciante como indivíduo humano vivendo realidades com múltiplas facetas se deixe levar pelas carências existenciais e se envolva emocionalmente na imagem da grande obra para reafirmar sua auto-estima. Mas a reação a esse psicologismo não deve levar ao desprezo do ideal de autor nem de bela obra. Pelo contrário. Estamos na companhia de filósofos influentes quando afirmamos que o ideal da filosofia da arte é imprescindível à concepção original da monografia como aspiração para investigar os grandes problemas.

Deste ponto de vista e para os fins de reflexão, igualmente ao artista, o autor de obra intelectual literária, incluindo o ensaio monográfico, pode ser equiparado ao fator de mediação pelo qual a matéria trazendo a forma em-si vem a ser objeto de realização. Quer dizer, no fundo a identidade do autor como tal é a criação. Tal a referência que não deve ser sublimada na transmissão do conhecimento, haja vista a monografia não só como trabalho científico em geral, mas como produção intelectual em que se compõe experimentação e comunicação social, deste modo superando em sua ambigüidade a mera reprodução do “já ditostandardizado no mundo das indústrias culturais.

Certo, sabemos que certas correntes filosóficas do final do século sustentaram além da inutilidade o caráter inócuo do conhecimento produzido: “nada haveria para ser dito”. A produção do conhecimento aconteceria no vazio de significação e nada acrescentaria à experiência humana propriamente dita. Em realidade, pela revalorização desta corrente encontramos novamente o posicionamento pragmatista reforçado, repelindo todo o ideal de autor em relação à concepção original da monografia em sua aspiração para investigar os grandes problemas. Tal o posicionamento que reflete o mundo da indústria cultural. Por contra, não é difícil notar através da forma monográfica de expressão associada ao ensaio de crítica da cultura que se torna possível expor a análise e a compreensão do fenômeno da indústria cultural. Tanto é assim que um notável pensador do século vinte como Theodor W. Adorno promoveu a seguinte orientação: Escribe ensayísticamente el que compone experimentando, el que vuelve y revuelve, interroga, palpa, examina, atraviesa su objeto con la reflexión, el que parte hacia él desde diversas vertientes y reúne en su mirada espiritual todo lo que ve y da palabra todo lo que el objeto permite ver bajo las condiciones aceptadas y puestas al escribir.” (…) “El ensayo es la forma de la categoría crítica de nuestro espíritu. Pues el que critica tiene necesariamente que experimentar, tiene que establecer condiciones bajo las cuales se hace de nuevo visible un objeto en forma diversa que en un autor dado; y, ante todo, hay que poner a prueba, ensayar la ilusoriedad y caducidad del objeto; éste es precisamente el sentido de la ligera variación a que el critico somete el objeto criticado(Cf. Max Bense: “Uber den Essay und seine Prosa”, apud Theodor W. Adorno: “Notas de Literatura“, trad. Manuel Sacristán, Barcelona, Ed. Ariel, 1962, pp. 28 e 30 ). Em duas palavras, o autor de ensaios dedica-se a cultivar, sobretudo uma atitude experimental. Portanto, a orientação pragmatista extrapola ao situar o problema da concepção original da monografia desde o ponto de vista da indústria cultural deixando na sombra o papel da criação reservado à acentuação do ideal de autor e sua aspiração para a bela obra. <!–[if supportFields]> XE “atitude” <![endif]–><!–[if supportFields]><![endif]–>

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DESTAQUE DAS PRINCIPAIS DICAS NA

CONCEPÇÃO E PREPARAÇÃO DA MONOGRAFIA:

► Na concepção original da monografia é aconselhável não reprimir a ambição da grande obra e cultivar a aspiração para investigar as grandes questões. É recomendável formular propósitos de elaboração abrangentes e de amplo espectro visando redefinir as concepções referenciais da disciplina ou da interdisciplinaridade aplicada.

►Vantagens de uma concepção original ousada:

· Favorece uma atitude de abertura e compreensão para (a) – ler as teorias e autores mais produtivos ou mais debatidos na bibliografia selecionada; (b) – tirar proveito dessas leituras em termos de observações e comentários formuladores de linhas de pesquisa.

· Favorece a formulação de um esquema bem simples dos principais eixos da matéria, dos quais serão tirados e nos quais serão integradas as linhas de pesquisa.

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©2007 Jacob (J.) Lumier

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