SSF/RIO

Resumo para a Microssociologia contra a Tecnificação e o Psicologismo.

In history, portuguese blogs, twentieth century on August 28, 2008 at 7:56 pm

A era da automatização e das máquinas eletrônicas dá primazia lógica ao conhecimento técnico em um grau tal que todas as outras manifestações do saber são influídas ao ponto de tecnificar-se tanto quanto possível.

As próprias ciências humanas são comprometidas gravemente com as gigantescas organizações de sondagens da opinião pública, de estudos de mercado, etc. as quais apenas se limitam à mecanização e à tecnificação das relações humanas e dos problemas reais que suscitam a vida mental e a vida social atuais.

O sociólogo ali observa o objetivo de subordinar as relações humanas aos esquemas prefixados, já que as projeções calculadas por essas gigantescas organizações não levam em conta a realidade social ao desconhecerem os coeficientes de discordância, diferenciados entre as opiniões exprimidas nas sondagens  ditas de “opinião pública” e as atitudes reais dos grupos, verificadas a-posteriori.

Assim, por exemplo, embora assinalem suas margens de erro, as pesquisas de opinião eleitoral não calculam o coeficiente de  discordância, não levam em conta as estatísticas conferidas a posteriori que constatam exatamente o número dos eleitores faltosos.

Trata-se de um quadro da tecnocracia [1] a que o sociólogo opõe a pesquisa do coeficiente existencial do conhecimento (variações nas relações entre quadros sociais e conhecimento) e afirma a indispensabilidade da microssociologia como estudo das manifestações da sociabilidade (os Nós, as relações com outrem), em contraste com a sociometria e demais aplicações do paradigma de Hobbes.

Em microssociologia estudam-se as relações com outrem por afastamento, as relações mistas, as relações por aproximação.

As relações com outrem são observadas (a) – como as relações variáveis que se manifestam entre os Nós, entre os grupos, entre as classes, entre as sociedades globais; (b) – como as relações que, em acréscimo, variam com a oposição entre sociabilidade ativa e sociabilidade passiva, sem todavia deixar de manter sua eficácia de conjuntos ou de quadros sociais, já que são os componentes não-históricos fundamentais da estruturação dos grupos.

Deste ponto de vista, em cada unidade coletiva real se encontram os Nós e as relações com outrem em maneira espontânea, que são utilizadas pelas unidades coletivas para se estruturarem na medida em que o grupal e o global imprimem a sua racionalidade mais ou menos histórica e a ligação estrutural a essas manifestações microscópicas da vida social.

Vale dizer: as manifestações da sociabilidade são hierarquizadas do exterior ou de fora para dentro, sem perderem sua característica anestrutural. É essa experiência dialética que tornam as relações humanas tão problemáticas, variáveis e escorregadias para a tecnocratização dos controles.

As relações com outrem não podem ser identificadas nem às fases históricas da sociedade global, nem aos agrupamentos particulares. E isto é assim porque a diversidade irredutível dos Nós faz com que tais manifestações da sociabilidade por relações com outrem não admita síntese que ultrapasse a combinação variável dessas relações microscópicas, como espécie de sociabilidade.

Quer dizer, mesmo no estado muito valorado pelos estudiosos da história social, quando as relações
com outrem são distribuídas hierarquicamente e servem de ponto de referência a uma estrutura social
(relações com o Estado, relações com a classe empresarial, relações com os estratos dominantes,
com os estratos intermediários, com os produtores, etc.) a síntese não ultrapassa o estado de
combinação variável. É pela microssociologia que se põe em relevo a variabilidade no interior de
cada grupo, de cada classe, de cada sociedade global.

Veja o Artigo completo tal como apresentado à Organización de Estados Iberoamericanos para la Educación, la Ciencia y la Cultura – OEI.

link para a edição em HTML

***


[1] Veja a análise sociológica crítica da doutrina dos “Managers” (James Burnham) na obra de Gurvitch. Para informação geral ver “Technocracy (bureaucratic)” na Wikipédia.

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