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OEI- Espaço Ibero-americano do Conhecimento

In Uncategorized on Maio 22, 2009 at 9:05 am

Divulgação científica conjunta na Iberoamérica

Por Sabine Righetti, Cartagena de Índias (Colômbia) Labjor

Ter um espaço que compile informações sobre a produção científica e tecnológica de todos os 22 países da Iberoamérica. Esse é o objetivo anunciado pela equipe de pesquisadores e jornalistas da Agência de Notícias para a Difusão da Ciência e Tecnologia (DiCYT) durante um workshop que reuniu profissionais de comunicação de vários países iberoamericanos, de 27 a 30 de abril, em Cartagena de Indias (Colômbia). A idéia é que os países da Iberoamérica utilizem e alimentem a Agência DiCYT com a produção de conteúdo de divulgação científica dos seus respectivos países.

Criada em 2003, a Agência DiCYT surgiu com o objetivo de facilitar o acesso a notícias especializadas em temas científicos e tecnológicos nas regiões espanholas de Castela e Leão. Após cinco anos, por meio do projeto “Plataforma Iberoamericana de Divulgação Científica”, da Universidade de Salamanca (Espanha), a Agência DiCYT passou a ter um objetivo mais amplo: fortalecer as relações entre pesquisadores de língua espanhola e portuguesa, fomentando a colaboração e o intercâmbio de recursos e conhecimentos.

Além de operar como um sistema de informação diretamente para a sociedade, que acessa seu conteúdo na internet, a Agência DiCYT fornece informações para grandes veículos de comunicação, o que contribui para uma ampla disseminação da ciência em meios como TV, jornal e rádio. Hoje, a DiCYT possui diferentes versões em três idiomas – espanhol, português e inglês. O conteúdo em língua portuguesa, por enquanto, é alimentado por traduções feitas pela equipe espanhola.

Por que divulgar ciência?

De acordo com Miguel Angel Quintanilla, criador da Agência DiCYT e coordenador do Instituto de Estudos para Ciência e Tecnologia, da Universidade de Salamanca, que a mantém, a ciência tem a obrigação de divulgar os seus resultados, “já que é a sociedade que apóia e financia o funcionamento da ciência”. Para ele, um dos aspectos mais problemáticos na comunicação da ciência é que a sociedade percebe a informação científica quase sempre associada com conflitos, como, por exemplo, nas questões de saúde e de mudança climática. Quintanilla abriu as sessões apresentadas no workshop abordando a relação entre ciência, tecnologia e sociedade – área de estudos que ficou conhecida pela sigla CTS.

No encontro, estavam presentes alguns representantes do Brasil, dentre eles o professor Carlos Vogt, que é coordenador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor/Unicamp) e atual Secretário de Ensino Superior do Estado de São Paulo. Vogt apresentou os últimos trabalhos realizados pelo Labjor em percepção pública da ciência e da tecnologia – área que estuda, por meio de pesquisas realizadas com a população, o conhecimento, o interesse e a apropriação da ciência e da tecnologia. Também participaram do evento profissionais do México, da Guatemala, da Costa Rica, da Nicarágua, da Argentina, da Venezuela, do Equador, do Chile e da própria Colômbia.

O workshop foi realizado sob o patrocínio da Organização dos Estados Iberoamericanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). Para dar continuidade às discussões, a OEI planeja a organização de um Primeiro Foro de Comunicação Científica na Iberoamérica, a ser realizado no Brasil (na Unicamp), em novembro, em parceria com o Labjor.

21 de mayo de 2009

fonte: Web da OEI

Resumo para “A Utopia do Saber Desencarnado, a Crítica da Ideologia e a Sociologia do Conhecimento”.

In history, portuguese blogs, twentieth century on Setembro 6, 2008 at 7:52 pm

Cultiva-se uma imagem restrita da nossa disciplina, tida equivocadamente como exclusivamente causal, imagem esta que, em toda a evidência, tem a ver com uma simplificação imprópria da sociologia do conhecimento identificada ao neo-hegelianismo de Karl Mannheim.

Autor muito influente nos Estados Unidos[1] com sua obra Ideologia e Utopia [2] e sua compreensão de que todo o conhecimento é ligado a questões práticas, Mannheim comprometeu seu pragmatismo.

Além disso, prejudicou a autonomia e o prestígio científico da sociologia do conhecimento de que ele foi o mais notado incentivador na primeira metade do Século Vinte ao elaborar um enfoque neo-espiritualista inteiramente baseado na concepção hegeliana conservadorista, tomando o saber como instrumento de adaptação do espírito às situações existentes ao longo da história.

Trata-se de uma posição filosófica preconcebida submetendo o princípio de sua sociologia que, ao contrário do que se poderia conjecturar, afirmava a determinação social do pensamento em razão do seu hegelianismo, e não em resultado das pesquisas concretas.

Mas não é tudo. Combinada a essa concepção do saber, considerado equivocadamente como se fosse um meio ou ambiência de adaptação do espírito (entendido este termo no sentido das Ciências Humanas, isto é, como o conjunto das obras de civilização – incluindo a arte, religião, direito, moralidade, educação, e o próprio conhecimento), Mannheim faz por segregar sua célebre representação de um sujeito histórico especial dotado com a plena ciência desta idealizada faceta instrumental do conhecimento.

Vale dizer, projetando uma ciência desse saber servindo para adaptar às situações existentes na história, Mannheim se representa um “estrato social desamarrado, relativamente sem classe” por ele chamada “intelligentsia socialmente desvinculada” – ou seja, um grupo privilegiado que pode acessar a um suposto pleno saber exatamente porque seria desprovido de amarras sociais e situar-se-ia acima dos interesses e dos grupos.

Posicionamento esse que é todo o contrário da sociologia do conhecimento, cujo ponto de vista acentua a variação do conhecimento em função dos quadros sociais e repele toda a utopia do saber desencarnado.

Essa imaginada “intelligentsia” socialmente desvinculada, “estrato desamarrado relativamente sem classe social alguma” desempenharia o “papel de vigiadores da perspectiva de um todo mistificado” (papel este tornado importante na produção econômica em decorrência dos cargos de gestionnaires ou managers) e seria correspondente à síntese ou à mediação viva pela criação deum foro alheio às escolas de partido político, em vista de salvaguardar a perspectiva do todo e o interesse pelo todo (mistificado)” [3].

Tendo em vista esse imaginado papel supra-social dos intelectuais como vigiadores da perspectiva de um todo mistificado, esse autor projeta o ensino de uma “ciência política” abstrata, ciência de um suposto saber servindo para adaptar às situações existentes na história.

Seja como for, por mais severas que pareçam estas observações críticas, o fato é que em momento algum a concepção mannheimiana desse grupo privilegiado de “vigiadores do interesse pelo todo” chega a ser diferenciada em face da tecnoburocracia nascente no século XX, como grupo urbano (gerentes, supervisores, experts) a que, em fato, essa representação parece corresponder [4].

Podemos então afirmar que Mannheim compromete a sociologia do conhecimento não somente por subordiná-la através do seu neo-hegelianismo à concepção utópica do saber desencarnado, mas por tentar utilizá-la em uma empresa ideológica particular, cujo quadro de referência será a idealização em “intelligentsia sem amarras” da tecnoburocracia, como instância de tecnificação do saber, dos controles sociais e das relações humanas.

Enfim, Mannheim confirma ainda seu neo-hegelianismo sustentando que a representação desse estrato como “mediação viva” resulta de uma linha de desenvolvimento que vem do romantismo passando pelo que chama “visão conservadora”, a qual estaria mais de acordo com as necessidades da época (cf.ib.p.186).

Desta forma, Mannheim substituirá a questão crítica sobre o espiritualismo de Hegel – assim deslocada e idealizada na convocação à tomada de consciência dos intelectuais como um estrato “desvinculado” e em flagrante confronto com a realidade histórica.

Por contra, do ponto de vista da “nova” sociologia do conhecimento, o que se observa não será tanto esse suposto estrato desvinculado, mas o fenômeno da radicalização dos intelectuais no século XX, favorecendo uma atitude anticapitalista.

Como se sabe a evolução política dos intelectuais – no sentido estrito de criadores de produtos ideológico-culturais – se insere em um marco mais vasto de radicalização da capa dos trabalhadores intelectuais em geral, nos países capitalistas avançados e no terceiro mundo. A causa (singular) principal desse fenômeno é a proletarização dessa capa.

Ou seja, a radicalização anticapitalista dos trabalhadores intelectuais no século XX se tornará patente quando a “extensão massiva do capital ao setor chamado terciário e as transformações ligadas à terceira revolução industrial (automatização, informática) produziram uma industrialização generalizada de todos os setores da atividade humana”.

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SUMÁRIO  DO ENSAIO

TEXTO 01:

A Utopia Do Saber Desencarnado Na Sociologia De Karl Mannheim:

Hegelianismo e Teodicéia.

TEXTO 02:

Ideologia e Sociologia do Conhecimento:

Os coeficientes pragmáticos do conhecimento e os limites da abordagem conservadora.

(Nota crítica sobre os continuadores de Karl Mannheim)

TEXTO 03

Ideologia e Sociologia do Conhecimento:

A consciência Mistificada

TEXTO 04

Notas Sobre o Exame do Problema Sociológico da Ideologia

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Aceder ao ensaio completo.


[1] Gurvitch, Georges (1894-1965): “Problemas de Sociologia do Conhecimento”, In Gurvitch (Ed.) et Al. ”Tratado de Sociologia – Vol.2”, Trad: Ma. José Marinho, Revisão: Alberto Ferreira, Iniciativas Editoriais, Porto 1968, Págs.145 a 189 (1ªedição Em Francês: PUF, Paris, 1960). Cf.pág. 161.

[2] Mannheim, Karl: « Ideologia e Utopia: uma introdução à sociologia do conhecimento », tradução Sérgio Santeiro, revisão César Guimarães, Rio de Janeiro, Zahar editor, 2ªedição, 1972, 330 pp. (1ªedição em Alemão, Bonn, F.Cohen, 1929; 2ªedição remodelada em Inglês, 1936).

[3] Mannheim, Karl: « Ideologia e Utopia: uma introdução à sociologia do conhecimento », op.cit. págs.178 a 189.

[4] Além dessa representação de um grupo sem amarras sociais, a sociologia de Mannheim pode ser referida ao quadro da tecnocracia inclusive pelo aspecto da concepção instrumental do saber.

Resumo para a Microssociologia contra a Tecnificação e o Psicologismo.

In history, portuguese blogs, twentieth century on Agosto 28, 2008 at 7:56 pm

A era da automatização e das máquinas eletrônicas dá primazia lógica ao conhecimento técnico em um grau tal que todas as outras manifestações do saber são influídas ao ponto de tecnificar-se tanto quanto possível.

As próprias ciências humanas são comprometidas gravemente com as gigantescas organizações de sondagens da opinião pública, de estudos de mercado, etc. as quais apenas se limitam à mecanização e à tecnificação das relações humanas e dos problemas reais que suscitam a vida mental e a vida social atuais.

O sociólogo ali observa o objetivo de subordinar as relações humanas aos esquemas prefixados, já que as projeções calculadas por essas gigantescas organizações não levam em conta a realidade social ao desconhecerem os coeficientes de discordância, diferenciados entre as opiniões exprimidas nas sondagens  ditas de “opinião pública” e as atitudes reais dos grupos, verificadas a-posteriori.

Assim, por exemplo, embora assinalem suas margens de erro, as pesquisas de opinião eleitoral não calculam o coeficiente de  discordância, não levam em conta as estatísticas conferidas a posteriori que constatam exatamente o número dos eleitores faltosos.

Trata-se de um quadro da tecnocracia [1] a que o sociólogo opõe a pesquisa do coeficiente existencial do conhecimento (variações nas relações entre quadros sociais e conhecimento) e afirma a indispensabilidade da microssociologia como estudo das manifestações da sociabilidade (os Nós, as relações com outrem), em contraste com a sociometria e demais aplicações do paradigma de Hobbes.

Em microssociologia estudam-se as relações com outrem por afastamento, as relações mistas, as relações por aproximação.

As relações com outrem são observadas (a) – como as relações variáveis que se manifestam entre os Nós, entre os grupos, entre as classes, entre as sociedades globais; (b) – como as relações que, em acréscimo, variam com a oposição entre sociabilidade ativa e sociabilidade passiva, sem todavia deixar de manter sua eficácia de conjuntos ou de quadros sociais, já que são os componentes não-históricos fundamentais da estruturação dos grupos.

Deste ponto de vista, em cada unidade coletiva real se encontram os Nós e as relações com outrem em maneira espontânea, que são utilizadas pelas unidades coletivas para se estruturarem na medida em que o grupal e o global imprimem a sua racionalidade mais ou menos histórica e a ligação estrutural a essas manifestações microscópicas da vida social.

Vale dizer: as manifestações da sociabilidade são hierarquizadas do exterior ou de fora para dentro, sem perderem sua característica anestrutural. É essa experiência dialética que tornam as relações humanas tão problemáticas, variáveis e escorregadias para a tecnocratização dos controles.

As relações com outrem não podem ser identificadas nem às fases históricas da sociedade global, nem aos agrupamentos particulares. E isto é assim porque a diversidade irredutível dos Nós faz com que tais manifestações da sociabilidade por relações com outrem não admita síntese que ultrapasse a combinação variável dessas relações microscópicas, como espécie de sociabilidade.

Quer dizer, mesmo no estado muito valorado pelos estudiosos da história social, quando as relações
com outrem são distribuídas hierarquicamente e servem de ponto de referência a uma estrutura social
(relações com o Estado, relações com a classe empresarial, relações com os estratos dominantes,
com os estratos intermediários, com os produtores, etc.) a síntese não ultrapassa o estado de
combinação variável. É pela microssociologia que se põe em relevo a variabilidade no interior de
cada grupo, de cada classe, de cada sociedade global.

Veja o Artigo completo tal como apresentado à Organización de Estados Iberoamericanos para la Educación, la Ciencia y la Cultura – OEI.

link para a edição em HTML

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[1] Veja a análise sociológica crítica da doutrina dos “Managers” (James Burnham) na obra de Gurvitch. Para informação geral ver “Technocracy (bureaucratic)” na Wikipédia.

Visão Prospectiva.

In history, twentieth century on Agosto 23, 2008 at 12:51 pm